Internet segura e IA
O básico da internet segura, do ECA Digital à inteligência artificial e aos deepfakes, do jeito que criança entende.
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Se isso acontece na sua casa, este caderno é para vocês
Seu filho vai crescer conversando com a internet e com a inteligência artificial. Proibir tudo não prepara. Liberar tudo não protege. O caminho é ensinar desde cedo, no tamanho de cada idade: que do outro lado da tela tem gente de verdade, que a IA erra e inventa, que montagem com a foto de alguém é crime e que a lei, com o ECA e o ECA Digital, está do lado dele. E, principalmente, que ele pode sempre contar para um adulto.
- Seu filho sabe mais de aplicativos do que você.
- Conversa com desconhecidos nos jogos e acha normal.
- Acredita em tudo o que a IA responde.
- Você não sabe o que fazer se aparecer uma montagem ou um deepfake.
8 atividades para 7 a 10 anos
Nesta idade, internet segura é quase toda sobre o adulto. O guia do Governo Federal recomenda nenhuma tela antes dos 2 anos, a não ser a chamada de vídeo com a família e com você junto. O que protege agora é o colo, a rotina e as primeiras palavras sobre o próprio corpo.
- A caixa da esperaA Sociedade Brasileira de Pediatria orienta não usar a tela para acalmar birra ou choro. A tela não é babá: a criança precisa aprender a esperar com gente e com coisas de verdade.
- Tela de mãos dadasA Academia Americana de Pediatria diz que usar a tela junto com a criança está associado a mais aprendizagem. Depois dos 2 anos, quando tiver tela, que seja pouca, calma e com você do lado.
- Boa-noite, celularA Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda desligar as telas de 1 a 2 horas antes de dormir e criar um ritual de sono, com música, livro, conversa e carinho.
- O celular de papelãoPiaget chamou de jogo simbólico o faz de conta que começa perto dos 2 anos. Com um celular de mentirinha, a criança ensaia que o telefone serve para falar com quem a gente ama, e que ele também desliga.
- Cabeça, ombro, joelho e péSaber o nome certo das partes do corpo dá à criança palavras para contar se algo a incomodou. O ECA garante a ela o direito ao respeito, que inclui a integridade do corpo.
- A cócega que paraQuando o adulto para a brincadeira no primeiro "para", a criança aprende que a palavra dela tem força sobre o próprio corpo. Esse é o começo do "meu corpo é meu".
- Meu celular também esperaO guia do Governo Federal lembra que o exemplo dos adultos conta muito. Se o celular do adulto espera durante a brincadeira, a criança aprende que ela vem antes da tela.
- A foto que fica em casaA Sociedade Brasileira de Pediatria orienta não postar fotos de crianças em redes públicas, e o ECA protege a imagem da criança. Seu filho ainda não pode dizer se quer aparecer. Por enquanto, você decide por ele.
Aos 4, 5 e 6 anos, a criança acha que tudo o que aparece na tela é de verdade e que todo mundo é bonzinho. É a hora das primeiras regras simples: do outro lado tem gente, senha não se empresta e, se algo assustar, a gente conta para um adulto. Quem conta nunca leva bronca por contar.
- O barbante da internetA internet é uma rede que liga celulares e computadores do mundo inteiro. Em cada ponta dessa rede tem uma pessoa de verdade: umas a gente conhece, outras não.
- A mão da ajudaO ECA diz que proteger a criança é dever da família, da comunidade, da sociedade e do poder público. Pedir ajuda é usar essa rede de gente que cuida.
- Segredo bom e segredo ruimSegredo bom é surpresa: um dia vai ser contado e deixa todo mundo feliz. Quem quer fazer mal a uma criança costuma pedir segredo e tentar afastá-la da família. Segredo que dá medo ou vergonha a gente conta.
- O bicho misturadoNa tela, dá para juntar pedaços e criar coisas que nunca existiram. Com a inteligência artificial, isso ficou fácil e rápido. Nem tudo o que aparece no vídeo é verdade.
- Senha é escova de denteSenha é como escova de dente: cada um tem a sua, não se empresta para ninguém e, de vez em quando, se troca. Só os pais podem saber a senha da criança.
- Virou, chamouLivingstone e colegas mostraram que regras sem conversa estão associadas a menos pedidos de ajuda das crianças. Treinar a reação antes, como no treino de incêndio da escola, deixa a criança pronta para pedir.
- Quem é o dono da foto?O ECA garante à criança o direito ao respeito, que inclui a preservação da imagem. Toda foto tem dono: a pessoa que aparece nela. Por isso, a gente pergunta antes.
- O pote que enche maisA Organização Mundial da Saúde recomenda, para crianças de 3 e 4 anos, no máximo 1 hora de tela parada por dia, e menos é melhor. O resto do dia é para se mexer, brincar e conversar.
Dos 7 aos 10 anos, chegam os jogos online, os primeiros grupos de mensagem e, muitas vezes, o pedido do primeiro celular. A criança já entende regras e adora ser detetive. Use isso: ensine a desconfiar com curiosidade, e não com medo. E repita sempre: se algo der errado, a culpa não é sua: me conte, e a gente resolve junto.
- O amigo do jogoO ECA, no artigo 241-D, trata como crime o adulto que usa qualquer meio de comunicação para assediar uma criança. Esse adulto costuma oferecer presentes, pedir segredo e levar a conversa para outro aplicativo.
- O cofre dos dadosA LGPD, no artigo 14, diz que os dados de crianças devem ser tratados no melhor interesse delas e com o consentimento de um dos pais. Alguns dados a gente conta; outros ficam guardados no cofre.
- O robô adivinhãoUm assistente de IA aprende com muitos exemplos e vai adivinhando a próxima palavra mais provável. Por isso ele parece saber tudo, mas erra e às vezes inventa. O UNICEF pede que as crianças aprendam o que a IA é e o que ela não é.
- A pegadinha da IAAssistentes de IA escrevem com muita confiança, mesmo quando inventam. O UNICEF recomenda que as crianças aprendam a usar a IA como complemento do próprio pensamento, e não no lugar dele.
- A fábrica de boatosRoozenbeek e van der Linden mostraram que quem aprende, brincando, os truques de quem fabrica notícia falsa fica melhor em reconhecê-la. É como uma vacina contra a desinformação.
- A caixa-surpresa do jogoO ECA Digital proíbe as caixas de recompensa, as loot boxes, em jogos feitos para crianças ou que elas provavelmente vão usar. Nessas caixas, você paga sem saber o que vai ganhar.
- O ECA também vale na internetO ECA, de 1990, garante o direito de brincar, de dar opinião e de ser respeitado, inclusive na imagem (artigos 16 e 17). Desde 2007, a Lei 11.525 manda a escola ensinar esses direitos.
- Estou pronto para um celular?O guia do Governo Federal recomenda não dar smartphone próprio antes dos 12 anos, e quanto mais tarde, melhor. Mais do que a idade, conta a maturidade: da criança e dos pais.
Entre os 11 e os 14 anos, o grupo e o celular ganham um peso enorme. É também a idade em que mais aparecem montagens e exposição nas turmas. Proibir tudo afasta; liberar tudo desprotege. Converse sobre a lei, combinem as regras juntos e deixe claro: se acontecer com você, a culpa não é sua, e a gente resolve junto.
- Verdade ou mito do ECA DigitalA Lei 15.211/2025, o ECA Digital, está em vigor desde 17 de março de 2026. Ela vale para redes sociais, jogos, lojas de aplicativos e sites, e divide a responsabilidade entre as famílias e as empresas.
- A corrente da montagemO artigo 241-C do ECA trata como crime simular, por montagem, a participação de criança ou adolescente em cena de sexo. Quando o autor é adolescente, ele responde por ato infracional. E quem repassa também espalha o dano.
- O print que viajaA Constituição, no artigo 5º, protege a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. Um print tira a conversa do lugar onde ela foi combinada e ninguém controla para onde ela vai.
- Eu sou o algoritmoO algoritmo aprende com o que prende você e mostra mais do mesmo. Por isso, o ECA Digital pede que o padrão seja o mais protetor: menos reprodução automática, menos notificações e a opção de desligar o feed personalizado.
- Amigo ou chatbot?O UNICEF alerta que crianças e adolescentes tendem a ver características humanas nas máquinas, o que aumenta o risco de apego e de contar informações privadas. Ele recomenda que os chatbots deixem claro que não são humanos.
- Configurações a quatro mãosPelo ECA Digital, contas de quem tem até 16 anos devem estar ligadas à de um responsável, e os pais podem gerenciar a privacidade, as compras, os adultos com quem o filho conversa e o tempo de uso. Nada instalado escondido.
- Detetive de deepfakeDeepfake é uma imagem, um vídeo ou um áudio falso feito com IA, que coloca o rosto ou a voz de uma pessoa real numa cena que nunca existiu. Os sinais ajudam, mas a IA melhora rápido. O hábito que fica é perguntar de onde veio.
- Se acontecer com vocêO ECA Digital obriga as plataformas a ter um canal de denúncia e a retirar o conteúdo que viola direitos de crianças e adolescentes quando são avisadas. A SaferNet Brasil recebe denúncias e orienta vítimas, e o Disque 100 recebe denúncias de violação de direitos.
Aos 15, 16 e 17 anos, o jovem vive boa parte da vida online, cuida da própria imagem e usa IA na escola. Ele não precisa de sermão: precisa de informação de verdade, de argumentos e de um adulto que não entre em pânico. Combine como quem conversa com um quase adulto: com direitos, deveres e a porta sempre aberta.
- O tribunal da imagemA imagem é protegida pela Constituição (artigo 5º, X) e pelo Código Civil (artigo 20). Divulgar cena de nudez ou de sexo de alguém sem consentimento é crime (Código Penal, artigo 218-C), e o Marco Civil da Internet (artigo 21) obriga a plataforma a retirar esse conteúdo quando a vítima pede.
- Arqueólogo de mim mesmoO que vai para a internet pode ficar lá por muito tempo. A LGPD, no artigo 18, garante a cada pessoa o direito de pedir às empresas o acesso, a correção e a eliminação dos próprios dados.
- Eu declaro: usei IAO UNICEF recomenda usar a IA como complemento, e não como substituto, do próprio pensamento, e cita a preocupação de jovens brasileiros com trabalhos escolares feitos pela IA. Declarar o uso é o que separa ajuda de enganação.
- Leitura lateralWineburg e McGrew observaram que checadores profissionais leem pouco a página e abrem outras abas para descobrir quem está por trás da informação. Com a IA, vale o mesmo: a resposta confiante não é a fonte.
- Treino contra a voz clonadaProgramas de IA conseguem imitar a voz de uma pessoa a partir de gravações dela. O golpe usa a pressa e o medo. A defesa é parar, desligar e confirmar por outro caminho.
- Li os termos de usoA LGPD, no artigo 14, manda que os dados de crianças e adolescentes sejam tratados no melhor interesse deles, com informação clara e fácil de entender. Direito que a gente não conhece é direito que a gente não usa.
- Carta para a empresaA LGPD, no artigo 18, dá a qualquer pessoa o direito de perguntar a uma empresa quais dados ela tem, pedir correção e pedir a eliminação. Quando uma empresa descumpre o ECA Digital, quem fiscaliza é a ANPD.
- Como ajudar um colegaO ECA diz que é dever de todos proteger crianças e adolescentes de qualquer tratamento vexatório ou constrangedor (artigo 18). Quem é exposto costuma sentir vergonha e se isolar. Um colega que acolhe, não repassa e ajuda a denunciar faz diferença.

Boas teorias, do jeito que criança entende
Cada atividade conta de onde vem. E o Reloginho, o relógio da rotina, ajuda a família a achar a hora certa para cada uma.
- Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ECA Digital (Lei 15.211/2025).
- Lei Geral de Proteção de Dados, artigo 14, sobre dados de crianças e adolescentes.
- Orientações da UNICEF sobre inteligência artificial e crianças.
- Mediação ativa: conversar sobre o que acontece online funciona melhor do que só proibir.
Caderno Internet segura e IA para 7 a 10 anos
Internet segura e IA · 7 a 10 anos
- 8 atividades para a idade escolhida
- Rotina com o Reloginho, placar e certificado
- Imprima quantas vezes quiser
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Quero o caderno de 7 a 10 anosOs 7 temas · 7 a 10 anos
- Ler e escrever
- Economia e dinheiro
- Cidadania
- Ética e boas escolhas
- Respeito aos professores
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Por que um caderno para cada idade?
Porque o que funciona aos 3 anos não funciona aos 15. Cada caderno foi escrito para a fase da criança: a linguagem, o tempo de atenção e o tipo de atividade mudam.
Tenho filhos de idades diferentes. O que eu compro?
Um caderno para cada idade. Se quiser trabalhar todos os temas, o kit da idade sai mais em conta.
Preciso de impressora colorida?
Não. O caderno foi pensado para ficar bonito também em preto e branco.
Quanto tempo leva cada atividade?
De 10 minutos, para os pequenos, a 20 minutos, para os maiores. Uma por dia já basta.
Posso usar na escola?
O uso é pessoal da família. Para usar com uma turma, fale com o nosso atendimento sobre a licença para escolas.
