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Inteligência artificial30 de setembro de 20268 min de leitura

Chatbots de IA podem ser mais arriscados para crianças do que as redes sociais foram

A rede social mostra coisas para o seu filho. O chatbot conversa com ele. O que dizem os especialistas e cinco combinados para começar hoje.

Chatbots de IA podem ser mais arriscados para crianças do que as redes sociais foram

Na semana passada, um dos homens que montou a área de segurança do Google por quinze anos disse que a inteligência artificial pode fazer mais mal às crianças do que as redes sociais fizeram.

Ele se chama Tom Siegel. E agora dirige um instituto da Common Sense Media criado para testar os produtos de IA que as crianças usam. A frase dele que eu mais gostei: as empresas de IA "não podem corrigir a própria lição de casa".

Por que o chatbot é diferente da rede social

A rede social mostra coisas para o seu filho. O chatbot conversa com ele. Responde na hora, nunca se cansa, nunca discorda muito, está disponível às três da manhã. Ele não é um feed. Ele parece um amigo.

E os números mostram que as crianças já estão nessa. Olha só:

  • Nos Estados Unidos, 72% dos adolescentes de 13 a 17 anos já usaram um "AI companion", os chatbots de companhia. Cerca de 1 em cada 3 já tratou de assuntos sérios com a IA em vez de conversar com uma pessoa (Common Sense Media, 2025).
  • Na pesquisa de 2026 da mesma organização, com crianças de 9 a 17 anos, 58% das de 9 a 12 anos já usaram chatbots. E 44% disseram que os pais nunca conversaram com elas sobre usar IA com segurança.
  • No Brasil, 65% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam IA generativa. E 10% usam para conversar sobre problemas pessoais ou emoções (TIC Kids Online Brasil 2025).

Tem mais um dado que me acendeu a luz amarela. Na pesquisa de 2026, entre as crianças e adolescentes que usam IA todo dia, 54% relatam se sentir sozinhos. Entre os que usam menos de uma vez por mês, são 33%. É uma associação, não prova que a IA causa solidão. Mas mostra quem a gente precisa olhar mais de perto.

O que já está acontecendo lá fora

  • Em setembro de 2025, a FTC, órgão de defesa do consumidor dos Estados Unidos, abriu um inquérito sobre chatbots de companhia contra Google, Character.AI, Instagram, Meta, OpenAI, Snap e xAI.
  • A Character.AI encerrou as conversas abertas para menores de 18 anos em novembro de 2025.
  • A OpenAI lançou controles parentais no ChatGPT, com contas de pais e filhos vinculadas.

Aqui no Brasil, o ECA Digital já pede que as plataformas revisem as ferramentas de IA e permitam desligar funções que não são essenciais.

O que dizem os especialistas

A Academia Americana de Pediatria recomenda tratar a IA como tratamos o sono e as redes sociais: um assunto de rotina em casa. E sugere uma pergunta simples, sem julgamento: "Como você usa a IA? Me mostra como funciona?". O UNICEF alerta que esses robôs oferecem aceitação sem limites, o que pode criar dependência emocional.

O que eu faço em casa: a IA entra para criar junto, e não para substituir gente. As meninas escolhem o tema, a gente cria o desenho com IA e elas pintam à mão. A tela começa a brincadeira. A mão termina.

Cinco combinados para começar hoje

  1. Pergunte antes de proibir. Peça para o seu filho mostrar qual IA ele usa e para quê.
  2. Explique que robô não é amigo. Ele foi feito para prender a atenção, não para cuidar.
  3. Nada de chatbot no quarto à noite. Carregador fora do quarto vale para o celular inteiro.
  4. Combine o assunto que vai para gente. Tristeza, medo, corpo e saúde: com um adulto de confiança.
  5. Use a IA junto na lição. Para entender, sim. Para fazer no lugar, não. Eu explico como em IA na lição de casa.

E se você quiser ouvir mais sobre IA e o que ela faz com a atenção das crianças, eu juntei as conversas que tive em podcasts em IA, atenção e tédio.

A IA vai ficar. A pergunta é quem está no comando.

No Pais no Comando da Era Digital, a gente fala de IA, jogos, redes e segurança, com uma parte para cada idade. Se você percebeu seu filho desanimado com tudo fora da tela, o curso Anedonia ajuda a entender o que está acontecendo. E, para as escolas, as palestras Redes, Grupos e Pressão e Autonomia com Segurança falam exatamente disso com as famílias.

As fontes deste artigo

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